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>/ >/ comboio - introdução

elefantes caminham pela savana:
comendo folhas, bebendo água.

não existe distração
ou desidratação
maior que memória de manada

[às vezes a fome é tanta que se derruba a árvore]

e ao marchar
as paisagens, elefantes, ramas
suas orelhas e seus alto falantes
se perdem entre horizontes e poeiras de cantos distantes.


aquele chapéu caqui recém comprado sempre esteve nos imaginários das desbravuras, as aventuras de Misturinha 1, desde os filmes, aos livros, passando pelos desamores alguns. o símbolo, a coroa ensaiada não poderia ser outra senão o chapéu cáqui que neste instante já estaria umedecido de suor e vapor de realidade atmosférica: atmosfera amarela pintada de gramíneas, baobás, cactos e acácias. a cada passo, a cada folhinha, a cada nuvem, ao mirar os céus Misturinha 1 se deixava envolver por um encantamento mútuo entre paisagem e sonho. estar ali presente, representava todos os caminhos de uma estrada que pouco importava se havia sido pré-vista ou não.

uma vez que a partida se fez chegada, o…

}{ serpiente del sur }{

Imagem
para cada decolagem, um curso d'água,

~~~~flotar~~~~

demasiados pies a pairar
contando milha por milha
sem realmente atravessar
as nuvens sinuosas
entre o que se diz
chegar e partir.

aquilo que se diz ir,
numa distração cartográfica
significa venir
y más allá
num colapso dos trópicos,
pode ser nunca mais voltar
desnortear,
no que diz respeito à tudo que é cinético:

a gente quase sempre teve medo de médico
vivendo quase sempre de superstição

tão trivial quanto mortal
é confundir as linhas de costura
com as linhas da mão- intuição de feiticeira
que corre sem nada nos pés no desejo de acender milhares de centelhas

sem nunca dividir a vida
entre cristal de mina
e cristal de cachoeira



.caminologia.

se o sol brilha pela fresta da porta,
se a vendedora de frutas ou o sapateiro sorriem,
se a madeira queima lenta e espanta os mosquitos,
se os tecidos coloridos ondulam pelo quarto no final da tarde,
se sobe cheiro de tempero entre os vapores
da panela ou da rua de trás
se o trançado do cesto se desfaz,
se surge uma palavra recém-nascida de uma estrela fugaz,
se a estrada é longa e áspera
aos 40 graus acima da linha do ecuador,
se a humanidade está predestinada às caminhadas,
e contudo,
segue criando casas e sonhos cotidianos,


sobre tudo pouco se sabe
sobre a roda do tempo,

se vive um segundo


sapiência existente
é a do movimento circular que as mãos fazem
no encontro das águas,
para banhar e bendizer
o corpo,
os corpos que nunca deixam de se por em marcha,
ao sul
de sal à sol,
semeando ciências,
colhendo segredos,
confiando em nada além do movimento das marés
e no desgaste dos próprios pés:


a.n.

...:hatemporal:...

eram das janelas,

uma a uma,
as luzes da cidade
uma a uma,
todas amarelas

a não ser quando chovia,
amarelos disfarçados de refração
num espectro de azuis, dourados, vermelhos...

o céu vermelho à noite se faz de denso, infinito
mas ele não cobre o mundo inteiro:

o mundo daqui sempre azul,
mesmo quando toca o telefone

entre-cortadas ligações
o corpo traz pela mão
o que ficou refratado na gota que escorreu pelo para-peito

por 5 minutos, a casa desperta
escuta os pingos reservados ao quintal
e de tão poucos, se ouvem todos

se serviu para matar a sede do rio
é isso que conta,
e não os dias de forte ou fraca correnteza:

nesse instante até o sol se sente banal,
porque às cinco da tarde,
são as águas que fazem cantar o pardal.

a.n.

{semânticas de janeiro}

"pensamientos azules para ti" - me han deseado

azul era o som da cruviana percorrendo as persianas da cortina da sala
o gosto do sorvete que você me comprou na sexta também era azul.
as música do sábado, campos harmônicos azulados.
o verde aos poucos foi se tornando azul,
conforme passam os tempos que se contam em cadernos gastos.

não sei como ou quando começou a transcoloração
quiçá foram os tons dos dias e noites olhando pro céu,
sem dizer nada,
insular
ultimamente, não sei falar ou tecer opinião sobre muita coisa pralém das paisagens cotidianas

sem jeito peço licença para adentrar às intimidades azules
estilo é algo que passa do verde pro azul que a gente nem percebe.


azu.lar - vem de universo, é de sistema solar
vem de silenciar, é de luz que aos poucos preenche a sala, o quarto e a cozinha,
e na varanda convida passarinhos à inventarem ninho
é sobre os sons que saem da boca de alguém
quando conta histórias de lugares que nunca conheci
as palavras flutuantes nas che…